A Voz de Trás-os-Montes: "Natural da Figueira da Foz, a candidata social-democrata afirmou já ter sentido na pele as dificuldades do distrito, no que se refere às acessibilidades. A candidata defendeu, então, o princípio do utilizador/pagador, como forma de conseguir financiamentos que possam ser utilizados na recuperação de outras vias, garantindo, no entanto, que as portagens nunca serão introduzidas, no IP3, enquanto não estiverem garantidas alternativas de qualidade àquele itinerário."
Muito haveria a dizer sobre este princípio, desde logo que se trata de uma apropriação abusiva e indevida do princípo ecológico do Poluidor-Pagador, esse sim justo, porque penaliza quem prejudica a sociedade, pagam os prevaricadores.
Nas estradas, a situação é bastante diversa. Não me parece que quem conduz esteja a ter um comportamento desviante e deva ser punido - aliás, a componente poluidora do automóvel já é tida em conta no cálculo de selos, de IA...
Mas se este é um princípio de lógica duvidosa quando aplicado indiscriminadamente, a sua aplicação às regiões do interior é totalmente despurada e só pode ser pactuada por quem não sente, ou nunca sentiu, os efeitos da interioridade.
Para esclarecimento do contexto, vivemos num distrito com cerca de 200.000 habitantes e com uma trajectória clara de perda de população ao longo dos últimos 10 anos, com um Rendimento per capita de 58% da média nacional.
A crescente privatização da economia e o aumento de parcerias público-privadas, obriga a uma escolha criteriosa dos investimentos, cada vez mais baseada na variável lucro, o que leva a uma concentração clara de investimentos nas zonas mais densamente povoadas.
A admissão de princípios como o do utilizador pagador levará a uma concentração da população em Lisboa e Porto e a uma desertificação do interior. Assistir-se-á a um fenómeno semelhante ao que actualmente acontece com o êxodo rural.
Assumido este princípio como norteador da actividade política nesta matéria, será ou não um passo atrás:
- Na atracção de investimento?
- Na atracção de turistas?
- Na atracção de jovens e massa crítica?
Que desejamos para o distrito ao nível de emprego e em consequência de população?
Será positivo para o país uma concentração da população no litoral?
Abreviando, e porque muito haveria a dizer sobre o tema, refiro apenas que em conversa com a AAUTAD foi-me transmitido que a maior causa da perda de alunos da instituição era a perigosidade do IP4 e a falta de alternativas a esta via...
Será a colocação de portagens nas IPs o caminho para o desenvolvimento da nossa região?
-
Sexta-feira, Fevereiro 11

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home